A “MÃE” DO GPS

24 de março de 2022

Além de nos ajudar a saber onde estamos e nos guiar em viagens,  o GPS está presente em outras atividades nossas, como pedir comida, chamar um motorista pelo aplicativo e, até, em apps de paquera. O que você talvez ainda não saiba sobre essa tecnologia, é que ela foi criada por uma mulher que precisou trabalhar como babá para conseguir custear os estudos.

Nascida no Condado de Dinwiddie, em 1930, Gladys é uma entre tantas mulheres que tiveram grandes contribuições para a humanidade. Gladys não se interessava por plantações de algodão ou tabaco, que era o trabalho dos pais e dos amigos, e sabia que a melhor maneira de deixar o campo seria através da educação. Quando estava no ensino médio, soube que os melhores alunos do último ano poderiam ganhar uma bolsa de estudos para a Universidade de Virgínia. Assim, Gladys se empenhou nos estudos e se formou como a primeira da classe conseguindo a tão sonhada bolsa de estudos para a universidade. Assim, teria início a história da Gladys West, a ”mãe do GPS”.

Mesmo com a bolsa de estudos, ela precisou trabalhar meio período como babá para se manter no campus da universidade, se dedicando muito para conseguir conciliar estudo e trabalho. Após a graduação em matemática, se tornou professora e lecionou por dois anos no Condado de Sussex, tornando possível guardar dinheiro antes de voltar para a faculdade a fim de obter um mestrado. Em 1956, ingressou na base naval de Dahlgren, sendo a segunda mulher negra a ser empregada na instituição. Foi na base que ela conheceu seu marido, com quem casou em 1957.

Em Dahlgren, uma de suas atribuições era a de coletar dados de localização espacial dos satélites em órbita e depois inserir os dados nos supercomputadores da base, usando um programa rudimentar para analisar elevações de superfície. Trabalhou por dias coletando dados e realizando cálculos complexos, grata por ter contato não apenas com a matemática como também com vários cientistas de renome. Dedicada ao trabalho, Gladys foi indicada por seu supervisor para diretora do projeto do satélite Seasat, o primeiro com a função de sensoriamento remoto dos oceanos por meio de radar. Nesse projeto, Gladys realizou um trabalho excelente ganhando prêmio e, em pouco tempo, tornou-se programadora de supercomputadores e diretora do projeto de processamento de dados usados em análises de satélites.

Mas foi em 1980 que realizou seu maior trabalho: a programação que calculava o geóide da Terra com precisões suficientes para a existência do GPS. Além dos primeiros passos para a construção do GPS, ela também desenvolveu um guia para melhorar a precisão dos dados obtidos por satélites, que auxiliou os futuros cientistas em seus estudos.m 1986, Gladys publicou seu guia ilustrado de 60 páginas chamado “Especificações para Sistemas de Processamento de Dados para Altímetros de Satélites de Radar Geosat”, pelo Centro de Armas Navais, que explicava como aumentar a acurácia na estimativa de deflexão vertical e alturas geoidais. Tal feito foi alcançado pelo processamento de dados criados pelos altímetros via rádio dos satélites geosat em órbita da Terra em 12 de março de 1984. 

Gladys trabalhou na base naval por 42 anos e se aposentou em 1998. Cinco meses após sua aposentadoria, Gladys teve um acidente vascular cerebral (AVC) que afetou sua visão e audição, além de todo o lado direito do corpo, o que comprometeu seu equilíbrio físico. Mesmo se recuperando do AVC, Gladys decidiu obter seu doutorado. Entrou na Young Men’s Christian Association para fazer fisioterapia e assim se recuperar para obter seu doutorado em Administração Pública e Política pela Virginia Tech. Além do AVC, ela também precisou de quatro pontes de safena e precisou tratar um câncer em 2011. 

Em 2018, aos 88 anos, a cientista foi incluída no Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço e Mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos em reconhecimento aos resultados de sua dedicação.

Em entrevista para The Guardian no final de 2020, Gladys West disse que a ciência foi seu passaporte para a liberdade. Criada em uma fazenda, trabalhava no campo o dia todo, mas sabia que queria algo diferente para sua vida. A escola ficava a quase cinco quilômetros de distância, caminhando por matas e riachos, e ela logo se destacou entre as crianças, todas negras, que frequentavam a sala de aula. 

Atualmente, com 92 anos, é considerada uma das 100 mulheres influenciadoras e inspiradoras da BBC em 2018.

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